sábado, 8 de abril de 2017

Projeto #2 - Tipografia - Memória Descritiva - Escolha do texto e pesquisa


Breve histórico e conceito – Tipografia


A tipografia (do gregos typos — "forma" — e graphein — "escrita") é o processo de criação na composição de um texto. O objetivo principal da tipografia é dar ordem estrutural e forma à comunicação escrita. Tipografia também passou a ser um modo de se referir à gráfica que usa uma prensa de tipos móveis.
As primeiras escrituras ocidentais surgiram na Mesopotâmia, na Suméria, no ano 3500 antes da nossa era (Frutiger, 2002). Essas primeiras formas de escrita eram pictogramas, ou seja, eram gravados em tabuletas de argila, em sequências verticais de escrita marcados com um estilete em forma de cunha (escrita cuneiforme).
Surgiram também símbolos que representavam um conceito abstrato ou palavra. A estes damos o nome de ideogramas.
Já no Egito era utilizado desde o ano 3000 a.C. uma escrita complexa chamada de hieroglífica, que se simplificou e levou à escrita hierática (Frutiger, 2002).
 

 Pictogramas

Ideogramas  


Hieróglifos

 

 

             O alfabeto latino apareceu por volta do século VII a.C. Os romanos adotaram 21 dos 26 caracteres etruscos, escrevendo da direita para a esquerda. Mais tarde, passaram a escrever da esquerda para a direita e, após a conquista da Grécia no século I a.C., criaram as letras Y e Z para representarem sons gregos. Com a expansão do Império Romano e a difusão do cristianismo, o alfabeto latino tornou-se a base de todos os alfabetos da Europa Ocidental, até os dias de hoje.

 
                                         Alfabeto fonético grego

                Tipos rudimentares que são pequenos pedaços de metal com letras e símbolos em alto relevo foram inventados pelos chineses. Mas foi somente no século XV que o alemão Johannes Gutenberg inventou os tipos móveis que aperfeiçoou a prensa tipográfica. Esses blocos de metal com letras em alto relevo eram organizados em placas formando palavras. Após organizadas, essas placas eram levadas a uma máquina chamada prensa, que aplicava uma pressão na nas placas contra diversas folhas de papel gerando assim uma sequência de páginas escritas. Essa invenção foi uma revolução que deu início à comunicação em massa.
 
Tipos de Gutenberg


Pesquisa inicial

            A princípio, estávamos à busca de um poema ou de uma poesia para representar nossa composição tipográfica. Como a poesia (do latim poesis, -is, do grego poíesis, fabricação, composição, criação) pode existir em outros componentes além da escrita, como por exemplo em uma paisagem ou até mesmo em um objeto, optamos pelo uso do poema (do latim poema, -atis, do grego poíêma, -atos, trabalho, obra, poema, ficção poética), que óbvio, também é um tipo de poesia e possui o lirismo, mas tem como elemento primordial a palavra.
            Mesmo após a decisão pelo poema, ainda demos uma conferida em algumas músicas para ter certeza de nossa escolha, e acabamos por nos lembrar de uma combinação perfeita de intertextualidade com a música “Monte Castelo – Legião Urbana (1989)” do álbum As Quatro Estações.

Texto escolhido

Monte Castelo Legião Urbana
Ainda que eu falasse a língua dos homens
e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.

É só o amor, é só o amor;
Que conhece o que é verdade;
O amor é bom, não quer o mal;
Não sente inveja ou se envaidece.

O amor é o fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

Ainda que eu falasse a língua dos homens                                                                                   
e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É um não contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É um estar-se preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade;
Tão contrario a si é o mesmo amor.

Estou acordado e todos dormem todos dormem, todos dormem;
Agora vejo em parte, mas então veremos face a face.

É só o amor, é só o amor;
Que conhece o que é verdade.

Ainda que eu falasse a língua dos homens
e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.



Intertextualidade da música

              Renato Russo, o compositor e cantor, realiza uma intertextualidade do poema de Luís de Camões, “O amor é fogo que arde sem se ver” com trechos dos versículos 1 e 2, livro de I Coríntios, capítulo 13:

1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.  ² E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.”
I Coríntios 13: 1-2

Amor é fogo que arde sem se ver
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

                       Luís de Camões

            A música, com o suporte lírico e bíblico, apresenta várias possíveis definições do amor, e ressalta a importância do mesmo para todos os âmbitos da nossa vida. O poema trabalha também com a figura de estilo do paradoxo, como podemos ver nas duas primeiras estrofes.

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